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Mensagens

A mostrar mensagens de Agosto, 2018

Repost: 100 anos de Richter

(No período de férias, as Crónicas praticam a releitura: republicamos alguns dos nossos "posts", no primeiro parágrafo, com um agradável link para ler o resto; um "repost" por dia faz bem, não sabia?)


Voltávamos da praia, sob um cansaço azul. O carro separava-se da areia e do mar, entre palmeiras e a terra amarela e perfumadamente antiga do Algarve. No rádio, a perfeição: a suavidade em estado puro. Beethoven depois de uma tempestade, quando o mundo regressa da agitação.
Não tardou a terrível notícia (continue a ler aqui).

Repost: Acordo Raso

O acordo é um casamento forçado que leva as duas partes a querer anular o passado uma da outra.
O Acordo, que poderia ser uma extraordinária e concreta forma de mostrar que não temos um complexo imperial nem sequer na língua que impusemos às nossas ex-colónias, tornou-se o inverso: uma ferramenta de neo-colonialismo. Que os nossos co-falantes angolanos e moçambicanos, para já, rejeitam. Como é que um país tão antigo e rico de história gerou políticos tão rasos?


(Continue, benévolo leitor, indo aqui)

Repost: o poder da mãe dormida

(No período de férias, as Crónicas praticam a releitura: republicamos alguns dos nossos "posts", no primeiro parágrafo, com um agradável link para ler o resto; um "repost" por dia faz bem, não sabia?)

O autocarro traz sempre as suas surpresas. Vem cheio de dois tipos de pessoas: as que querem ir para a cama, e as que querem ir para a cama. As primeiras cheiram a óleo, a produtos de limpeza, a cansaço tão acumulado que parece que apenas o calor do autocarro e os olhos semicerrados os mantém, embrulhados numa espécie de pré-sono. Os outros fazem barulho, ronronam, têm vozes engatadas de cerveja; espatifam-se uns nos outros como se o amanhã tivesse de se inventar numa noite rápida.
Sentaram-se os dois muito rapidamente, e com eles uma multidão de tratados. Ele alemão alto loiro e largo, daqueles que prefere uma semelhante à mesa e uma diferente na cama. Era o caso: ele dava para um anúncio de uma cerveja típica, feliz com a sua loira sonante e corrente; e ao lado,…

Repost: arqueobiografia, Santo António

(As Crónicas de Bizâncio estão de férias mas a leitura não; releia aqui alguns dos nossos posts de mais de dez anos de actividade) uma tarde de outono, com a N., naquela casa onde os fantasmas iluminavam as paredes, onde o próprio rio que se reflectia nas janelas era a corrente do sobrenatural, um Deus sem tempo veio ter comigo.
(Para continuar a ler o "post", clique aqui).

Repost: Um manjar de Papas

Tudo isto se lê – com terror e espanto, como preconizava Aristóteles, que de certeza não pensava numa nova religião universal quando escreveu a sua Poética, e muito menos na tragédia que o Papado foi (é?) – na sustentada e viciante narrativa que John Julius Norwich escreveu - Os Papas - A História (Civilização). O antigo diplomata Norwich e eu temos uma história de amor: devorei os seus três volumes de História de Bizâncio. A erudição velada, acessível, de que se serve para tornar as figuras históricas próximas, humanas: sentimos, após três parágrafos, que as conhecemos; a facilidade em expor situações complexas numa abordagem concisa mas clara; o cuidado em conclusões com os olhos da época, sem concessões a interpretações que desintegrem o movimento das ideias. Único problema: o aspecto de resumo que Norwich impos a si mesmo: há alguns passos em que visivelmente se cala, e onde seria excelente ouvir a restante narrativa.

(Continue a ler aqui).

Repost: todos os princípios começam no fim

(Estamos a republicar antigas publicações no blogue; aqui vai um excerto de um dos primeiros textos) tudo isto por causa de bizâncio; devoro há dias A Short Story of Byzantium, de John Julius Norwich. não sendo um livro de História pura e dura, é correctíssimo, inteligente e eficazmente contado. aquela excrescência histórica, ou degenerescência quase cancerígena (para continuar nas palavras longas de tom bizantino), como ao longo dos anos a pensei - e pelos vistos a pensámos, já que até Edward Gibbon, no seu Decline and Fall of the Roman Empire a considerava assim: uma espécie de barco de depravados, cadáver adiado.
um princípio que começou com um imperador Constantino e acabou com outro - como o do Ocidente "começou" com Rómulo e acabou com Rómulo Augusto. ou como este último acabou com as invasões, mas antes de mais com uma nova ordem que o cristianismo trouxe, e o bizantino com um novo jogo de poder no Oriente que o Islão trouxe.  (continue a ler aqui).

Repost: Blachernae

Perdido em Stambul: porque procuro Bizâncio, Blachernae em Stambul. Dou voltas e voltas, todos os mapas me parecem de outra cidade. Senta-te, Pedro, passaram seiscentos anos, tudo mudou. Os barcos do meu coração são diferentes dos que estão nos meus olhos. Entro num gabinete de apoio ao turista. Fechado. Mas o polícia aponta-me uma loja, onde um velho senhor com um inglês perfeito me ajuda a encontrar o caminho para onde quero ir: é do outro lado, «take bus, it’s very far». Pergunta-me na despedida se tenho a certeza de que quero ir lá. Digo-lhe com um sorriso que é por isso que vim. Ele sorri como resposta e guarda para si o que ia dizer. Parece que a Ásia não quer nada comigo. Pego em mim e através desta ponte, a Galatha Bridge, atravesso pelo ponto mais breve entre a Ásia e a Europa. À chegada, uma paragem onde parecem partir autocarros para o universo inteiro.

(Continue a ler aqui)

Repost: Mozart por Lipatti

(No período de férias, as Crónicas praticam a releitura: republicamos alguns dos nossos "posts", no primeiro parágrafo, com um agradável link para ler o resto; um "repost" por dia faz bem, não sabia?)

Se eu soubesse escrever à altura deste disco, inventaria toda uma literatura.
No dia em que nada sobrar da Humanidade, e este disco fôr ouvido por ETs, muito do melhor do conhecimento e da beleza acumulados durante milhares de anos pela Humanidade terá perdurado - e então, a exploração do homem pelo homem, Auschwitz e Hiroshima serão lavadas por esta água multidimensional, por esta magia de esferas capaz de desabitar os pecados do mundo; capaz de reabitar o mundo e de o desorbitar. Nunca duvidei que quem ouvisse este Concerto de Mozart por Lipatti tornar-se-ia uma pessoa melhor. Séculos de educação, de religião, de teoria, valem menos que esta cristalinidade. Isto, se hoje ainda soubessemos o que é ouvir - porque já praticamente ninguém se deixa ser educado …