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Uma rua interior, I: o chão que escorre


Um espaço, apenas. Deslizante, antes dos olhos, no lugar que fica entre o peito e a reacção.

É um túnel, primeiro terra, mas o seu bater no ritmo do meu coração torna-o metal. E de repente é o meu peito, a separar veias, artérias, canais, florestas onde havia passado à beira-mar de um rio e o brilho da água andada como um futuro.
Um túnel de metal, a correr cortando. E eu continuo sendo, e eu continuo passos e dias e situações inteiras no mundo, mas sou metade.

Assim o chão que escorre. Assim o dia, o momento, em que as certezas se suspendem e apenas o velho inimigo golpe domina do passado ao futuro, do coração ao coração. 

Assim essa rua tão velha e interior, que passa dentro de mim, mas onde aprendi a não viver mais. 

(Tchaikovsky explicou isto, no 1º andamento da sua 6a Sinfonia; eppur si muove).

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