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Para onde depois (reflexões na véspera dos 41)

Fonte: https://pt.foursquare.com/v/station-mortseloudegod

Dou por mim muitas vezes a perguntar para onde irei depois desta vez. Acontece em semanas como esta, quando andei por várias cidades em países diferentes, entre professor, escrevente, escritor, escrito. Acontece-me parar e pensar neste “para onde” como se fosse a estação num comboio com um nome flamengo e consonantalmente viageiro, uma rua nos arredores de Londres, íngreme e antiga onde o sol se verte, uma esquina bilingue no centro de Bruxelas.
Para onde irei depois desta vez, quero dizer: para que vida? A questão não é o depois, que para mim é mais sol que qualquer evidência, é para onde. Ou mais precisamente, para quando é que eu vou. Para que tempo?
Não tenho uma visão positivista, cronológica, do devir. Não acho que vá para o futuro. Posso ir até para o passado, porque o tempo é redondo, faminto e alto, é um “barco bêbado” que pode seguir em todas as direcções, porque o tempo é água. Na verdade, o que somos nós, neste mundo? Uma vírgula de um átomo na pata de uma formiga; um sonho de um grão de areia.
É por isso que sou o que sou: um ligador, um conector. De tempos. Procurar, reconstruir, construir - e criar, se for preciso - canais, veias, estrelas que façam do passado e do futuro um sentido.

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