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Revelhão

Não gosto do réveillon, nem da passagem de ano. É uma tradição superficial, que cheira àquelas que a Rainha Vitória recém-viúva inventava. "Revelhão", cheira mesmo a roupa velha saída do armário para uma jornada de idiotice. "Revelhão", velho duas vezes mas em aumentativo para parecer maior. Mesmo em francês a palavra, que vem de "réveiller" não acorda nada, senão as mesmas velhas ideias de começar por fora sem começar por dentro.

Faço tudo para o celebrar da maneira mais simples possível. O ano passado tive uma das surpresas da minha vida ao passar o fim de ano com uma querida amiga mas também com duas pessoas que não conhecia e que passaram todo o resto do ano no pensamento do meu coração.

Todos os dias 31 de Dezembro, independentemente de não gostar do réveillon, sento-me a fazer o balanço do ano anterior. Aprendi este balanço com várias experiências, mas uma em concreto com a extraordinária Clara Pinho (da Ariadne Porto).
É uma lista seca e dura, que parece poder fazer-se em 5 minutos mas que leva muito mais. Tento preencher pelo menos 3 pontos em cada uma destas entradas:
1. A coisa mais dolorosa que me aconteceu no ano que passou
2. Os momentos mais difíceis
3. Os momentos mais marcantes (difíceis mas que deixaram marca, ou bons e que criaram aprendizagem)
4. Os momentos mais felizes
5. As minhas escadas para o próximo ano: o que me fez subir, o que me falta subir?

O tempo levou-me ou o tempo fui eu?, pergunta da prova dos nove para fechar.

Depois vem o mais difícil: pôr isto por ordem: de alegria, de dificuldade, de aprendizagem. Sinto que isso leva o ano todo a responder.


Mas esta lista perspectiva-me e permite-me responder à prova dos nove. Pelo menos no fim do ano, o tempo sou eu.

Feliz 2018 a todos, cheio de recomeços.

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