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desbates presidenciais

Ouvi a grande maioria dos debates para as Presidenciais. E, vendo-os à distância (sobretudo quando comparando com os debates noutros países), a sensação é a de uma pobreza devastadora.
Primeiro: os candidatos ocupam-se num "diz que disse" um ao outro que ocupa boa parte do debate. Como se as suas vidas e respectivas reputações, objecto de anos de opções e lutas, pudessem ser mudadas por afirmações revistas no calor de um debate. Como isso mostra um país onde o que os outros pensam de uma pessoa conta muito mais do que o que essa pessoa é e fez.
Na segunda parte discutem minhoquices do poder presidencial que não interessam a ninguém. Ouvi maravilhas sobre o Conselho de Segurança Nacional, o Tribunal Constitucional, o Conselho de Estado, que não têm nenhuma relevância para a eleição.

A pobreza está: não há um discurso mobilizador. Nem há um debate importante sobre o futuro do país.
Um ciclo novo começou com o governo do PS apoiado pelo Parlamento. A partir deste momento, o Parlamento funciona na plenitude como lugar de representação do povo, e de debate profundo. Qualquer política tem de passar pela discussão de todos. Mas no caso de bloquear, o Presidente tem um papel importante. E que ideia tem o Presidente para Portugal?
Mais: que ideia tem Portugal para um Presidente? Os cargos em Portugal parecem herdados como bispados medievais. Um cargo público é um peso (daí vem a origem da palavra), que tem de ser reinventado, ser utilidade da raiz até aos actos. O último Presidente foi o exemplo acabado do oposto.
Num país onde as políticas por sector mudam por cada ministro (basta ver a educação), um Presidente tem de lutar pela discussão e manutenção de um projeto de país. É isso que Portugal não tem desde há muito tempo. É isso que não se discute nas legislativas, nas europeias, em eleições nenhumas. Faz-se barulho como forma de simular comunicação. Há ainda esperanças que o debate se oriente? Isso faria destas presidenciais uma diferença.

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