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Mensagens

A mostrar mensagens de Janeiro, 2016

Professor, o que é mesmo mesmo?

umas presidenciais mudantes

Foi a primeira vez em muitos anos que não votei numas eleições. A única e última tinha sido precisamente há 20 anos, quando Sampaio venceu Cavaco. Mas nessa altura não votei por motivos bem mais altos do que eu.
Desta vez foi a distância e uma viagem que não me deixaram votar. É tão estranho, com tantos ingleses e franceses que podem votar por procuração, como em Portugal isto não é permitido. Triste e abstencionista.

Vistas à distância de uma má ligação de computador, entre neve, frio e duplo estrangeiramento, pareceu-me que as análises bateram ao canto. Partilho o pouco que vi e o tanto que achei.

1. O vencedor
Ele é o seu próprio campeonato. Pode-se gostar ou não, mas Marcelo é um génio numa lâmpada única. Isto foi um referendo, não uma eleição. Não fez campanha, não foi de esquerda ou de direita (sendo absolutamente de direita), não precisou de apoio de ninguém, e vai para o seu lugar absolutamente independente - tendo sido tudo: afilhado de Marcelo Caetano, filho de um ministro …

Crôuvicas de Bruxelas: a rua que onda

Sempre que nos encontramos, não sei quem percorre quem. A rua, tão alta de um chão inquieto, de portas que dão para montanhas, ruas velhas, igrejas inesperadas. Ou apenas chão.
Talvez seja porque esta cidade não tem rio - a primeira em que vivi sem água. Às vezes ouve-se o rugido da terra, uma coisa lenta e quase imperceptível. Talvez por isso também esta rua suba, ondeie, não se suspenda.
Um amigo belga dizia-me: mas sim, não vês tantas regiões em Bruxelas que se chamam "beek"? É a palavra flamenga para "rio". Diz-me ainda que esta zona era um tecido de pequenos rios navegáveis, comercialmente muito viva.
Não sei: nada de rios visíveis hoje, só no nome das estações e das comunas. Mas esta rua cruza tempos e relevo, levanta levemente o peso das casas, do asfalto, e com eles o chão dos meus pés. Não é uma ascensão: não há luz e oceano, como em Lisboa; ou demasiada alma, como em Berlim. Há apenas a sensação de que algo me transporta, e que o onde é a viagem. Descer …

desbates presidenciais

Ouvi a grande maioria dos debates para as Presidenciais. E, vendo-os à distância (sobretudo quando comparando com os debates noutros países), a sensação é a de uma pobreza devastadora.
Primeiro: os candidatos ocupam-se num "diz que disse" um ao outro que ocupa boa parte do debate. Como se as suas vidas e respectivas reputações, objecto de anos de opções e lutas, pudessem ser mudadas por afirmações revistas no calor de um debate. Como isso mostra um país onde o que os outros pensam de uma pessoa conta muito mais do que o que essa pessoa é e fez.
Na segunda parte discutem minhoquices do poder presidencial que não interessam a ninguém. Ouvi maravilhas sobre o Conselho de Segurança Nacional, o Tribunal Constitucional, o Conselho de Estado, que não têm nenhuma relevância para a eleição.

A pobreza está: não há um discurso mobilizador. Nem há um debate importante sobre o futuro do país.
Um ciclo novo começou com o governo do PS apoiado pelo Parlamento. A partir deste momento, o Par…

a energia de uma música, ressuscitada

No dia 30 de Dezembro, a mais célebre compositora americana, Carole King, foi homenageada no Centro Kennedy. Autora de dezenas de "covers", cantados por si mas ou também compostos para outros, como "So Far Away" de Rod Stewart, "You've got a friend", era uma homenagem justíssima. Mas a surpresa ia desdobrar-se em muitas outras. Nesse dia, também para a homenagear, a septuagenária Aretha Franklin surge em palco para cantar uma das composições mais famosas de King, de que Aretha foi a voz: "You make me feel like a natural woman". O video da performance, que pode ser visto acima, não é apenas um momento histórico porque a interpretação de Aretha é tremenda; porque o Presidente Obama se emociona; porque vemos voz e compositora unidas num fio de música que explode. É histórico porque as suas raizes alargam-se e renascem naquele momento.
Carole King, pelo simples facto de ser uma mulher compositora nos anos 60-70, continha já na sua acção uma ene…

Fechados para balanço

Como as melhores casas comerciais, estaremos fechados para balanço até 17 de Janeiro. Fará sentido fazer sentido?