Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de 2016

Até sempre

Caros leitores: não é uma decisão facilitista, não é uma decisão repentista. É uma decisão longa que vem de um lugar certeiro: eu não sei ser do meu tempo como o meu tempo quer que eu seja.

Há algo em mim fundamentalmente avesso à exposição pública, e mais, contra a rapidez e a omnipresença do mundo de hoje. Sabia isso antes, de longos passados, soube isso de novo quando passei cinco anos em manuscritos, reforcei absolutamente isso quando apresentei o meu romance despaís, sei isso hoje melhor, por penas e reflexão.

Há muito que vinha pensando nisto, e a realidade parecia confirmá-lo. Mas fui educado pensando que a progressão, e a luta contra obstáculos e dificuldades na minha própria personalidade é um progresso. O progresso do mundo que eu posso e devo começar a fazer, se quero criar progresso no mundo. Não seria eu que seria tímido, e com isso encostado à minha própria facilidade? Tentei combatê-lo, portanto. Da luta interior fazer escadas.

Percebo hoje que o meu caminho é outro. U…

Até Setembro

O tempo e eu não nos temos entendido. E no meio de um projecto que me tem tomado mais tempo do que eu pensava ou queria, não consigo pedalar estas crónicas.
Além disso, não escrevo ruído.

Voltamos em Setembro.


primaveras antigas, i

Montaigne: a altura mais profunda

Não sei o que seria (o que é) estar vivo sem os os Ensaios de Montaigne.

Curiosamente, não o posso ler todos os dias. São raros os dias em que o leio; mas quando o faço, parece que respiro de novo, que uma página inflama outro quarto longe daquele em que estou, alargando luz em duas dimensões.
Este livro não me larga para onde quer que vá, e preciso que esteja ao meu lado enquanto durmo, ele mesmo lâmpada.
Fiquei surpreendido quando há dias, ao folhear a versão francesa que tenho há anos, percebi que o tinha comprado precisamente em Bruxelas, num março de 2009, numa das minhas então frequentes viagens aqui. Se preciso fosse, confirmei assim como este livro me ajuda a compreender a realidade.

Tendo vivido num tempo em que a Europa se dividia entre católicos e protestantes, e em que a própria França se trucidava em sucessivas Guerras de Religião; em que os Turcos ameaçavam chegar a Viena, um centro distante mas pólo do mundo conhecido; se destruíam cidades na Europa e criava…

Não é preciso ser adivinho

Pouco antes dos atentados, roubando tempo ao tempo, li de uma penada o magnífico Milénio de Tom Holland (publicado em Portugal pela Alethéia); e como acontece quando a realidade quotidiana fere e bate, voltei ao meu livro de cabeceira favorito, os Ensaios de Montaigne. Voltarei aqui sobre ambos quando os dias me forem propícios.