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Diálogos Pintados, X: Arthur Streeton, "Blue Pacific", para quadro e memória

Reparei nele porque se sentava nos bancos como eu. De lado, e ia rodando ao longo do assento para poder ver toda a sala. O cabelo era absolutamente branco. A mochila verde dava-lhe um ar de adolescente. E o quadro que via concentrava todas as cores da sala e do Universo recomeçado num dia de Verão: Blue Pacific.
Notei depois que não se mexia. E que limpava os olhos. Porque chorava? Para onde o quadro o tinha transportado? Pensei numa infância pobre numa arriba do Sul, cortado pela pobreza dos avós ou dos pais, para uma vida longe.
Passei diante, para ver se o quadro me contava mais da sua história. Os azuis, belos de terríveis. Depois à direita, no corte das falésias. Não consegui ver mais o rosto. Levantou-se e foi, surpreso da própria emoção.
Só ficou o quadro. Onde um pequeno barco verde, enterrado na areia, para sempre não navega mais.

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