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Diálogos Pintados, V: A Queda de Ícaro, de Brueghel


Mas alguém o viu cair,?, pergunta o quadro. A vida quotidiana corre durante todo o tempo do tempo, mas ninguém parece dar por isso. Todos registam, claro, os eventos extraordinários, não o fluxo dos dias iguais. A História é feita de ruptura ou de continuidade? De ambos? O extraordinário é uma nota de rodapé na História, diz Brueghel. A mão no arado (que os Maias desconheciam, raiz da sua desgraça), a descoberta do mundo, fortalezas ilhas ou o pôr do sol, tudo isso parece mais alto que Ícaro caindo – na verdade, caindo de si mesmo. O sol põe-se, até: não foi de muito sol que caiu. Não há História para a sua história – é o que diríamos de todo o banal e quotidiano que habita o resto do quadro. É o que a queda de Ícaro parece cair de significado aqui.

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