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Diálogos Pintados, IV: Portrait du Chevalier Abel van Coulster, de Jan Mostaert



O olhar fixo e as mãos orantes. O quadro parece não ser sobre nada mais que não a garantia, presente e sobretudo futura, das imbatíveis qualidades do servidor público Abel van Coulster. O fundo, com uma alta torre holandesa, parece redobrar ou recertificar a afirmação.
Mas ao cimo da torre, um macaco come algo escondido nas mãos. E as mãos do cavaleiro parecem subitamente ser questionadas (se não negadas) pelo gesto. À direita no céu, um clarão solar irrompe entre as nuvens: mas é afinal Cristo no seu Último Dia, na sua Última vinda. Os olhos de Abel van Coulster não se movem, reforça-se a camisa subida, apertada, rigorosa. Um grupo de mulheres aponta para Cristo, mais entre fenómeno que surpresa.
E de repente o retrato parece ser muito mais sobre o absurdo do Presente à luz do Último Dia. Ou não o serão todos os retratos?

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