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Parvos há muitos, I

Um lobby de um hotel em Riga. Ele ao computador como se a vida disso dependesse, mas rodeado de colegas, e a fazer questão de dizer que (em francês mais forçado que a virgindade de Madame de Maintenon): "baf, ah ouie, je travaille". Somos apresentados. Acho-o simpático na barba rala loira e nos olhos claros. Metade polaco. E agora o que aí vem a seguir não é uma enxúndia, são apenas pérolas reais ao ritmo de uma por minuto:
- Ah, professor de português... E escritor. Deve ficar bem, pôr isso no CV. Eu também estou a fazer um Doutoramento e não tenho interesse nenhum em dar aulas. Fica bem no CV.
- Ah, há três anos fora de Portugal... Não temes perder o contacto com a língua materna?
- Ah, Português. Mas os brasileiros são mais e mais baratos, não é?

Meus senhores, achei-o simpático? Mais depressa lobos são cordeiros. Ele anda aí: e cuidado! Franco-polaco, atirador economicista, detentor das verdades sobre a vida de cada um e da língua em geral. É daqui que nascem todas as invasões, diria Heródoto coçando a barba do Minotauro.

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