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Diálogos Pintados, III: Colunadas

A Louise fez a merenda e o Jans trouxe as mantas largas que comprou em Gobelin, restos de quase tapetes. Eles gostam de se sentar na relva, onde é fresco e suave. E gostam de ir ali: a fonte é centenária, ninguém sabe bem quando foi feita, e sobretudo como ainda funciona. As colunas da direita dão sombra, entre as pedras nascem bagas deliciosas.
A sogra de Jans, que vem quase sempre embora nunca seja convidada, diz que tinha sido tudo de um barão que Richelieu prendeu, matou e expropriou, já lá vão quase 200 anos. "Um bispo primeiro-ministro, isso pode lá ser? É tudo invenções da velha", diz Jans, que acha que não havia vida antes da Revolução. Mas a velha diz que é o fantasma do velho Barão que lá vem cuidar da sua propriedade.
Desta vez foi menos agradável o serão. Quando a sogra vem, Jans não pode apanhar frutos com Louise e guardá-los no vestido dela, e depois apanhar mamas e maçãs com a boca molhada. E não só pela sogra: vieram uns alemães armados em xicos-espertos dizer que aquilo era Romano. Uma tipa punha-se mesmo a analisar, braço estendido. "Ná! Acho que a velha é que tem razão", disse Jans a Louise. "Porque é que o Papa vinha de lá para aqui fazer colunas e fontes e deixá-las aqui? Além disso as fontes tinham gajas nuas - e os padres não gostam disso".

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