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Crôuvicas de Bruxelas: Amuse Musée

Nem preciso de ver um quadro. Só de entrar, abrem-se mais portas do que aquelas que atravesso.
Os passos são aqui secundários aos olhos. Deixo que uma expressão, um tema, uma luz em processo se forme. E como numa noite fria e húmida de inverno, escura na alma, sento-me diante do fogo, e subo.
Não são apenas os olhos que aprendem a ser. É o real que aprende, no eterno traço que torna permanente o que foi breve - assim o dizem as naturezas mortas.
Nas tardes em que Bruxelas é cinza, ou nos raros dias de luz, sento-me e oiço as respostas. As minhas perguntas, eu próprio as desconheço.
Quando deixo estas salas, alguém ou algo fez-me chegar ao verdadeiro Tempo: aquele em que não existem divisões. Em que tudo é água, tinta de imagens: porque a tudo aspiram estas imagens, as imagens: a serem água.

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O regresso regressa

O regresso do regresso: não apenas voltar, não apenas algo ou alguém que faz um caminho de volta, casa que se encontra não tanto como se deixou, assim tocada pelo coração duplo da memória mas também da diferença; não apenas o caminho de volta, mas uma viagem mais ampla. Como que, regressando, está a acontecer uma outra viagem para além do retorno: que tudo que partiu pode voltar de novo, de uma forma dupla. Não apenas voltar aonde se esteve, ou receber de volta o que se perdeu: mas com a emoção múltipla e desdobrante da descoberta. Talvez seja dos 40, talvez seja de ser emigrante, talvez seja por acreditar e acontecer-me em cada Dezembro que um menino nasça directamente onde pensava que a esperança tinha morrido. Mas agradeço esta descoberta que não esperava da vida.
O "Crónicas de Bizâncio" estará de volta, pelo menos durante 2018. Sempre à Quarta-feira e ao Domingo, um texto mais longo e outro mais curto. Como aconteceu comigo, espero que regressem a estes regressos.

Até sempre

Caros leitores: não é uma decisão facilitista, não é uma decisão repentista. É uma decisão longa que vem de um lugar certeiro: eu não sei ser do meu tempo como o meu tempo quer que eu seja.

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