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Crôuvicas de Bruxelas: Amuse Musée

Nem preciso de ver um quadro. Só de entrar, abrem-se mais portas do que aquelas que atravesso.
Os passos são aqui secundários aos olhos. Deixo que uma expressão, um tema, uma luz em processo se forme. E como numa noite fria e húmida de inverno, escura na alma, sento-me diante do fogo, e subo.
Não são apenas os olhos que aprendem a ser. É o real que aprende, no eterno traço que torna permanente o que foi breve - assim o dizem as naturezas mortas.
Nas tardes em que Bruxelas é cinza, ou nos raros dias de luz, sento-me e oiço as respostas. As minhas perguntas, eu próprio as desconheço.
Quando deixo estas salas, alguém ou algo fez-me chegar ao verdadeiro Tempo: aquele em que não existem divisões. Em que tudo é água, tinta de imagens: porque a tudo aspiram estas imagens, as imagens: a serem água.

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O "Crónicas de Bizâncio" estará de volta, pelo menos durante 2018. Sempre à Quarta-feira e ao Domingo, um texto mais longo e outro mais curto. Como aconteceu comigo, espero que regressem a estes regressos.

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