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uma falha no bater do coração do tempo

tanta morte acumulada, a vida como um campo após uma batalha. ainda não percebi o que é a Ressurreição.

lembro-me de há vinte anos a semana santa ser o eixo e o centro da minha vida. de cada gesto e de cada símbolo significarem milhares de anos e seres de promessas e libertações. muitas coisas passaram então pelo caminho estreito da aprendizagem do coração. mas nunca a semana pascal deixou de ser uma pergunta, um espinho de significado atravessando-me de um lugar ao outro do ser.

hoje, surpreendido pelo bater dos sinos sem parar, decidi ir à missa na paróquia aqui perto. Chama-se "Saint Antoine" e isso não é o menor dos seus mistérios. Foi a missa mais internacional que vi na minha vida, com todas as imensas comunidades de Bruxelas representadas e a tomar parte. Mas houve um momento, direi quase um segundo, uma falha no bater do coração do tempo: é por eu ter aprendido, é por eu aprender toda a extensão da morte, que eu preciso da Ressurreição. que eu preciso de querer perceber o que a Ressurreição faz.

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