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Troikão Coelhão à Caçador, II



Quem acredita na história do Caçador Coelho que acabou Caçado?
Quem acredita no "conto para crianças" (a expressão é dele) de que
um ex-líder da JSD, deputado em dois períodos diferentes, administrador frequente, não soubesse que a Segurança Social é para pagar? Que aguardasse "ser notificado" para isso?
A questão não está na resposta; a questão até nem está no interessante e kafkiano tema do líder do Governo ser mordido pela burocracia da máquina que dirige. A questão também não está na verificação prévia que devia ser feita às situações fiscais de candidatos a primeiro-ministro, porque ela nem devia precisar de ser feita: acredita-se que César será mais sério que a sua mulher e a sua sombra. Dois primeiros-ministros de uma vez enredados em nebulosidades, com os dois seus antecessores a terem fugido do país e das suas responsabilidades, é obra.
O prato do dia, a meu ver, está no Caçador que se tornou Coelho: no primeiro-ministro que oleou a máquina fiscal para pagar o défice, criando a imagem de implacável com a dívida e os grandes banqueiros, e que agora se revela. Quem pode pedir esforços aos seus, e vender-se como administrador implacável para o bem comum, quando não cumpre os princípios básicos como cidadão? Note-se: "não sabia ser preciso pagar". Eis o primeiro-ministro eleito e abençoado pela troupe da austeridade para acabar com o Estado Social: aquele que na prática não acredita na Segurança Social.
Este é, simultaneamente, a mais clara mensagem e a pior notícia. O caçador do estado social acabou caçado por ele.

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