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Crónicas de Berlinzâncio: Dezembro

As janelas de ontem estão semeadas de neve. O passado levanta-se bem cedo e inteiro em Dezembro.
Pelas ruas, as árvores parecem adormecidas numa canção interior. É por isso que Dezembro lembra tanto a infância, quando a gente era mais ouvidos do que pensamento.
No meu jardim, há sempre árvores dormindo que parecem cantar. Eu sempre acreditei que é quente dentro da terra quando é frio cá fora. As árvores em Dezembro adubam a alma.
Porém, hoje é Novembro, não há neve nesta nova janela transitória onde agora tenho os olhos do coração. E tenho sede de uma janela de ontem, em Berlim, para o céu escuro e a neve funda. E peço que neve, para as janelas de ontem serem hoje.

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