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Crôuvicas de Bruxelas, I: desberlinado



E as rotas mudaram-me o fuso; sem plano nem expectativa, deixei a cidade que amo mais do que outro qualquer lugar no mundo, Berlim, para a cidade onde está quem amo. Pensei que uma cidade ganhasse a um ser humano, mas destas dores são feitas as guerras de devastação e conquista, a que se chamam sinfonia, romance, ou batalha de Waterloo. Xerxes entra em Babilónia, Napoleão vencido pelo general Inverno; há telegramas de Xenofonte esquecidos em frases de Yourcenar; o grande comboio marítimo de Delvaux  aterra na capital da minha dor. Chego à Gare Centrale e Berlim fica para trás, com a sua história de reedificação de mim mesmo.
Ganhou o pragmatismo, de quem vinha a Bruxelas em trabalho cada vez mais. Há dezassete anos que Bruxelas me faz parar nos seus muros, sereia suspensa com voz dupla. Anunciava-se, como porto ouvido contar pelo sono das aves. Agora, ficar é a rua mais direita de ser.

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O "Crónicas de Bizâncio" estará de volta, pelo menos durante 2018. Sempre à Quarta-feira e ao Domingo, um texto mais longo e outro mais curto. Como aconteceu comigo, espero que regressem a estes regressos.

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