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A Espanha, lição de Democracia



A minha raiva perante este assunto é tão extensa que a escreverei breve. E limito-me a três simples perguntas:

1. O Reino Unido organiza um referendo, discute, sofre, para discutir a independência da Escócia. E o que faz a Espanha (ou melhor, Castela)? Proíbe um referendo.

2. Não foi travada nenhuma guerra pela independência da Escócia nos últimos séculos. Já em relação à Catalunha a enumeração seria longa - sem contar que se Portugal se tornou independente em 1640, foi muito graças à então revolta catalã.
A Escócia, porém, fala Inglês; a Catalunha, catalão. A Escócia não teve um império mediterrânico autónomo, do seu território propriamente dito às Ilhas Baleares até Nápoles. A Escócia teve uma dinastia (os Stuart) que se tornaram Reis de Inglaterra.
Com isto nada diminuo os princípios da independência da Escócia. Só pergunto: a Escócia foi participante da identidade do Reino Unido. À Catalunha, foi isso permitido? Quantos presos políticos durante o Franquismo por falarem Catalão? E o Galego, na Galiza, que praticamente desapareceu?

3. O que mostra isto? O que mostra a rapidez desta decisão do Tribunal Constitucional, que numa questão de horas considera o referendo inconstitucional? A maravilhosa tradição democrática castelhana, o extraordinário respeito pela diferença dos povos que a constituem. Foi assim na América do Sul, é assim no seu próprio território. A ferro e fogo e proibição, a inquisição castelhana continua a marcar a sua lição de Democracia ao mundo.

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