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como um discurso histórico fez o maior "comeback" dos últimos anos


A Escócia decidiu ficar no Reino Unido. E se isso foi uma decisão livre - uma discussão profunda e longa que a Espanha, por exemplo, se recusa a fazer - também se deve a uma pessoa só: Gordon Brown. Não apenas o desterrado e desacreditado último primeiro-ministro trabalhista foi uma escolha invulgar para ser o porta-voz da campanha do "Não" à independência, como foi o responsável pela vitória. Em três pontos: as ideias de devolução de soberania são suas, tendo conseguido um consenso dos três grandes partidos britânicos para tal; nos jogos de bastidores que tornaram essas medidas possíveis, e de que um dia a História dará notícia clara, não tivessem os Britânicos inventado a "micro-history"; e através do discurso (ver vídeo) que voltou a mesa (ver tudo aqui).
Brown reinventou o Reino Unido, voltando o referendo como um espelho de identidade. Agora a Inglaterra tem de se repensar, também.
Mas certo e sabido é isto: Brown fez o maior "comeback" de que há memória na Grã-Bretanha desde Winston Churchill, o primeiro-ministro que geriu o país durante a 2a Guerra, e voltou anos depois. E tal como Churchill, através de um discurso potente, forte, claro, inspirador e retoricamente exemplar.
Aposto por isso as minhas barbas que Brown vai ganhar o Partido Trabalhista (talvez até primeiro o Escocês), com uma vaga de fundo que ele não pediu, não sonhou, e não vai mover por si. E levado por essa onda, vai reformar o Reino Unido. 
Não há história política como a Britânica: onde não há personagem relevante que não tenha caído para se levantar: da rainha Mary à rainha Elisabeth, de Cromwell aos Stuarts. É que sem as Highlands, não há solidão suficiente nas Ilhas para os Britânicos subirem ao vazio e regressarem novos.

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