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to kill a mockingbird

Sobre o que aconteceu com o avião MH17 que caiu na auto-proclamada região da República Popular de Donetsk, no Este da Ucrânia, onde mais de 2/3 dos ocupantes eram Europeus, é tão simples como isto:
1. Ou tratou-se de um acidente. E se sim, como é possível que um míssil com alcance superior a 10000 m - alta tecnologia militar - possa estar nas mãos de rebeldes separatistas que há um ano nem existiam militarmente?
Se se tratou de um acidente, os responsáveis devem ser identificados e julgados.
2. Ou tratou-se de um acto militar efectuado pelos rebeldes pró-russos, com mísseis que lhes foram dados pela Rússia. Se esses mísseis foram dados, sem motorização, isso quer dizer que estamos em pura roda livre na Ucrânia. Quer dizer que, face a um ataque capaz dos ucranianos, com uso a aviões, os russos, não querendo atacar directamente, colocaram mísseis nas mãos de rebeldes. O que quer ainda dizer que, em caso de sucesso dos ucranianos, os russos dariam aos rebeldes armas nucleares? Putin perdeu a mão na Ucrânia e os rebeldes estão a agir per si. A criatura "rebeldes" está a debater-se com o seu criador, ou até a tentar manipulá-la.
3. Ou, ainda, tratou-se de um acto premeditado, pensado pela Rússia, e efectuado pelos rebeldes, para testar o Ocidente.

Quando (e se...) forem conhecidas as respostas às perguntas anteriores, o que há a fazer é apenas o seguinte:
1. Exigir a entrega imediata dos responsáveis máximos, sejam eles ucranianos, supostos ucranianos ou russos, ao Tribunal de Haia, para que sejam julgados por crimes de guerra.
2. Exigir a evacuação imediata de forças russas directa ou indirectamente relacionadas com o conflito. As Nações Unidas deveriam emitir uma declaração a esse respeito.

Termino: como é possível que estejam cadáveres de seres humanos (não chega?) de COMPATRIOTAS europeus nossos, por enterrar, em putrefacção, depois de terem sido abatidos sem explicação? Sem sequer uma admissão de culpas ou um pedido de desculpas - ou pelo menos, e antes disso, um acesso justo e correcto para que possam ser resgatados?
É assim que queremos viver na Europa? Sem direitos, sem deveres?

Este conflito começou com cidadãos ucranianos a serem mortos a tiro na praça principal de Kiev, embrulhados em bandeiras da União Europeia.
Hoje, cidadãos europeus jazem sem enterro, ao ar livre, em putrefacção, abatidos a tiro na Ucrânia.  Nem sequer políticos, diplomatas ou militares. Cidadãos. Tu e eu. Não, isto não é um problema russo. Isto é connosco.

Comentários

Rita disse…
tens tanta razão. é assustador. estive a ler uma lista de breves biografias dos ocupantes... famílias inteiras, um avô australiano que viajava com os 3 netos, irmãos, quando os pais resolveram ficar na Europa para umas férias a dois, vários investigadores na área da SIDA, gente que sumiu... o que podemos fazer?... isto é tudo obra nossa - do homem. gente como tu e eu.

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