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qualquer coisa em forma de coisa nenhuma, IX

uma espécie de tiro, mas de dentro para fora. um punhal de névoa, a puxar o caos, a espalhá-lo no chão, a estendê-lo pelo cosmos fora. o sabor a ossos partidos mas no coração.
era assim sempre que chegavas, era assim sempre que partias. como um filme ao contrário onde só acontecesse fim nenhum. querias estar e ser tudo sendo nada. querias chegar e que tudo te esperasse, mas que nada te fosse pedido. um punho de punhais, uma floresta a arder para dentro alimentando-se de azul. um daqueles vazios cósmicos, a que damos o próprio coração; e enquanto o vazio o devora, diz-nos, "tens outro? este não chega".
uma espécie de tiro: quando se dá pedras em vez do coração - e de repente, luminosa, devolvida a própria substância da liberdade.

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