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Eleições Europeias ou a Escolha da Europa?

Há dias, numa aula, um aluno consultou o seu pequeno dicionário Alemão-Português e disse: "No Domingo é Escolha Europeia". Wahl, em Alemão, quer dizer eleição ou escolha. Mas acho que de facto ele tinha razão: deveria ser um dia de escolha, e não vai ser.
A União Europeia parece o Império Romano na sua decadência: ocupada pelos seus bárbaros, atacada pelos seus fantasmas. Mas porém a funcionar, na sua burocracia eficaz, atenta ao tamanho da fruta e bizantinismos afins, mas incapaz de se unir em recriar-se.
A UE enfrenta o maior desafio da sua história. A crise do Euro só provou que as estruturas idealizadas (e construídas em consensos moles) durante os últimos anos não estão a funcionar. E o desafio é tremendo porque algumas das suas bases (livre circulação de pessoas, votações por unanimidade) estão a desaparecer. Quando se começa a fechar a porta a cidadãos da UE dentro do seu espaço, o espírito da UE está a morrer.
Por outro lado, é necessário que se eleja um Presidente da Comissão com força suficiente para vergar a locomotiva franco-alemã. E que seja capaz de grandes reformas, como terminar com a estupidez absoluta do cargo de Presidente do Conselho (agora nas mãos de Rompoy), uma estratégia idiota pensada pelos ingleses com o fim de diminuir os poderes da Comissão.
Por outro lado, o que os líderes da UE e de cada país não conseguem perceber é que o ser que geraram é maior do que eles mesmos, e está mais enraizado nas pessoas do que eles crêem. E que esse movimento, enraízado, criado, vai combater a mudança de uma forma inesperada e clara. Ninguém imagina na Europa que o Erasmus termine; que a livre circulação de pessoas tenha limitações severas; que o Euro ou afins não funcione. Todos querem mais Europa, não esta Europa tíbia e pequena. Umberto Eco disse tudo há tempos, neste artigo.
Claro que teremos 20% de um Parlamento com eleitos anti-europeístas. Mas este é o momento em que essa força vai despoletar um movimento inverso: de reforma, de mudança, de alteração.
Em Portugal, nada de especial:  o caviar Bloco vai ser reduzido à sua insignificância prática: mal elegerá um deputado, depois dos 3 nas últimas europeias. MPT e provavelmente o LIVRE elegerão o seu primeiro eurodeputado. E por este andar, com esta campanha superficial e idiota e cheia de irritações, ainda o PSD+CDS vão ficar à frente ou com o mesmo número de deputados. A insegurança de Seguro deixou de ser um seguro de vida para o PS.
E não interessa se é Juncker ou Schultz: o que apenas interessa é que do Parlamento saia o candidato, e não do directório de governos. E esta luta tem de ter lugar realmente. Porque se tiver, então houve realmente uma Escolha na Europa.
Porque como, mas como nos fazem sempre esquecer (ou nunca reparar) no facto mais extraordinário de todos: que as eleições para o PE são as maiores eleições supranacionais do mundo? 

NB: Aproveito para referir que na edição de 23 de Maio no "Sol" sai um artigo/ questionário que fiz sobre as Eleições vistas a partir de Londres, Berlim e Bruxelas.

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