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Europe by train, II: o fiscal



http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/38/Halt_hier_grenze.jpg[o fiscal]
Não tem mais de vinte e dois anos, mas tem a história dos comboios na Alemanha toda no corpo. A barba é um fio quadrado no rosto redondíssimo. Os cabelos muito loiros e os olhos azuis claros de campónio. É gordo como os seus antepassados desde Ernst-August – de Hannover, onde o ICE acabou de parar. É novo no seu trabalho de fiscal de estação; trabalhará há poucas semanas. Fala com todos, sorri para todos. Anima-se com a chegada do comboio de Köln, atrasado dez minutos por causa da queda de uma cantenária (um atraso na Alemanha é motivos para estranheza falatoriante). Cumprimenta o revisor idoso do comboio, faz uma piada, a que o outro não responde, gasto e agastado de atrasos; outra piada para o varredor da plataforma. Um sorriso para a senhora que ajuda a passageira cega a sair. E este movimento imparável das pernas gordas nos mocassins pretos apertados, de um lado para o outro na plataforma, em L inquieto e vagamente militarístico, de sargento de boas-disposições. O boné vermelho completa-lhe o ar satisfeito e grato ao universo, que celebrará cada final do dia na eckekneipe (a taberna do canto) do bairro, com outros Johanns ou mesmo só Hans da sua colheita. Tem orgulho no seu trabalho férreo, e isso dá gosto de ver, reforçado pela juventude satisfeita com a vida.

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