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Mensagens

A mostrar mensagens de Março, 2014

Remodelação em França: notas brevíssimas

Já sei: dirão que me torno vidente político. Mas não: a remodelação governamental em França está iminente. E desta vez, haverá um governo que vai deixar marca - que vai guiar o próprio desastrado presidente. Neste momento, a única hipótese de verdadeiro futuro será, para Hollande, de entregar o Governo à sua pior inimiga, Martine Aubry. Espera apenas que ela vença em Lille este Domingo. Manterá o ministro Valls no interior, porque sabe que ele será o mais provável e forte candidato (a comer à direita e à esquerda) nas Presidenciais. Hollande, neste momento, só pensa em sair da Presidência, depois de um mandato, para um tranquilo e suave lugar internacional (e para a sua inoperância fundamental, só mesmo a ONU). E se não fôr Aubry (por orgulho, porque ela perca Lille, por outros factores), será outra mulher, provavelmente a Ministra da Defesa, Taubira. Tem de ter uma saída feminista e directa e lógica. Será o caso. E se não fôr, o Presidente que o é de nada é melhor começar a fazer as…

A raiz do mundo, de Francisco Ribeiro Rosa

Partilho a nota que tive a honra de escrever para a badana do primeiro romance do meu amigo Francisco Ribeiro Rosa. Não posso recomendar mais este primeiro livro, e o rigor e a precisão com que o Francisco o desenhou e o lutou. Está nas livrarias esta semana!
"Este romance de Francisco Ribeiro Rosa é triplamente um romance de iniciação: é o primeiro livro do autor, uma estreita arquitectonicamente segura; é um livro-viagem que nos educa a percepção para o continuum destrutivo do colonialismo, trazendo para a discussão silenciados fantasmas irresolvidos; é um romance de desmontagem de símbolos negativos, uma catedral na selva, que perseguem o leitor como um pesadelo secular."

as seen in poetry, III

100 anos depois, agora

Tenho andado a ler vários livros sobre o início da 1º Grande Guerra. Porque me interessam os inícios em tudo; porque os inícios mantém-se sempre. Há tanta capacidade produtiva num início que nunca se cumpre completamente; muitas das suas tensões prolongam-se, reiniciam-se, como uma bomba de explosão lenta.  E foi assim o início da Primeira guerra. Muitos inícios, que demoraram décadas a explodir. O assassinato do Arquiduque em Sarajevo fez começar a guerra a Ocidente, com a Alemanha a invadir a Bélgica. As tensões a Ocidente resolveram-se não apenas na Primeira Guerra, mas muito depois - se ainda estão integralmente resolvidas. Hoje, ao descer a minha rua em Berlim, reparo numa família que enche a station wagon com malas e malas. Falavam russo. Uma conhecida tem um problema com um cliente da mesma nacionalidade que quer fechar um negócio urgentemente na próxima semana. Os sinais de que as barreiras se vão fechar começam. E o conflito desencadeia-se longe daquele que será o seu centro…

as seen in poetry, II

Poema de Amor

Teu rosto, no meu rosto, descansado.
Meu corpo, no teu corpo, adormecido.
Bater de asas, tão longe, noutro tempo,
Sem relógio nem espaço proibido.

Oh, que atónitos olhos nos contemplam,
Nos sorriem, nos dizem: Sossegai!
Românticos amantes, viajantes eternos,
Olham por nós na hora que se esvai!

Que música de prados e de fontes!
Que riso de águas vem para nos levar?
Meu rosto, no teu rosto de horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.

Natércia Freire (1919-2004)

Europe by train, III: auto-ajude-me

Europe by train, II: o fiscal