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Israeli Blues: Negev



Negev: o “deserto aberto”
[fragmento de um poema]


Aqui as minhas palavras acabam; a gramática é alta e áspera, mais antiga que qualquer língua nos seus sonhos ou na sua raiz.
Apenas a existência impossível, resistente, deste Forte de Zin, a segurar as rotas da seda, Bizâncio e China tão distantes e frágeis, mantidas por duas torres e quinze metros de pedras no meio do deserto.
Eu sabia que aqui tudo acabava. Mas eu não sabia que aqui começava o fogo; que aqui nascia o sal e o sol da água; que nesta raiz todos os silêncios se formavam. E que a grande orquestra da sede com o vento tecia aqui toda a música do futuro.

Aqui deixei os meus olhos, pedras. E aqui, onde a sede vem procurar a água que ainda dorme, bebo o mais antigo presente.

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