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Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2013

E agora, Germania?

Alguns dos leitores do blogue tiveram a simpatia de me escrever com uma espécie de pedido: «Não pode falar das eleições alemãs?». Quer dizer, foi menos simpático e directo do que isto, mas gostei do pedido.
Tive ocasião de escrever recentemente um artigo para o "Sol" (publicado a 20 de Setembro) sobre o cenário da campanha. Mas agora seguem apenas umas impressões sobre o que aconteceu, respondendo também a algumas perguntas que os meus amigos e família em Portugal me foram fazendo nestes dias. - Mas porque é que reelegeram Merkel? Porque é um símbolo prático e um símbolo pragmático. São duas coisas distintas. Prático: porque é uma filha de um Pastor da antiga DDR (RDA), uma cientista séria, que viveu muitos anos com um sentido de resistência séria mas suave. Por outro lado, porque Merkel tem uma estatura calma no meio das discussões políticas. Basta vê-la no debate contra o seu rival do SPD, Peer Steinbrück, ou em tantas vezes no Parlamento. Imperturbável, trab…

Lançamento de despaís em Bruxelas

despaís é lançado em Bruxelas no dia 26 de Outubro, pelas 18h, na livraria Orfeu (43, Rue du Taciturne | Willem de Zwijgerstraat,43). Mais informações aqui: http://www.livrariaorfeu.com/


Crónicas de Berlinzâncio: one year and we still are inlove

Talvez porque não parece ter fim, talvez porque não queira conhecer-lhe os limites. Ela continua. Sei de onde não estivemos ainda juntos, mas espero que ela me leve consigo. Um fim de uma rua, ou o ponto onde uma rua inventa outra. Sei que todas as geografias são emocionais, o cruzamento do clarão e da surpresa, um outro nome para o presente. Mas sei que por isso nunca acabaremos, os dois, de nos encontrar um no outro. Hoje sento-me onde nos conhecemos. E mesmo aí a surpresa. Ela e eu não acabamos juntos. Sei os nomes de curvas e abóbodas que desconheço. Mas sei ainda mais que se me deixo perder, os nomes que conheço, as memórias que escrevem portas, árvores, pedaços de céu, estão todos mudados. Amar uma cidade é isto, terno infinito: criamo-nos um no outro, um ao outro, enquanto o espaço é sede.

Garten Postkarten, II

1. Futebol e garrafas
Já passou por mim em várias partes da cidade. Até à noite em Oranienstrasse, sempre com o seu carrinho onde recolhe as garrafas que outros deixaram nas ruas, e a permanente frase: «Ele joga futebol, ele joga futebol". Não percebo de onde é: se um turco de 2a ou 3a geração (uma das forças silenciosas que reconstruiu a Alemanha no pós-guerra), se um emigrado de outra próxima Euroásia. O certo é que vive do presente. Sabe que as dezenas de cêntimos que recebe no supermercado por cada garrafa devolvida lhe darão o que não tem. Divertimento e rendimento, como muitos mais novos ou mais velhos que se dedicam a este desporto que lhes faz bem às pernas, à poupança e sobretudo aos dias vazios.
Da última vez, sentou-se ao pé de mim quando fumava um cigarro num dos primeiros dias frios do fim de Setembro. Nem longe nem perto. «Fussball, fussball», a apontar para alguém supostamente à frente. - Quem ganhou? - perguntei-lhe.
Mostrou-me os dentes todos num sorr…