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Crónicas de Berlinzâncio: mirrorwing city

Éramos quatro na noite entornada no Spree em Jannowitzbrücke: uma belga, uma finlandesa, um norueguês e um português. Poemas, processos, pontes. E de repente as mulheres começam a falar de amor. Os homens recuam, como sempre. Mas depois juntámo-nos, nessa espécie de calor que se cria quando se fala das origens do coração.  O rio corria desde muito antes, e parecia juntar-nos para além da chuva que vinha de dentro, tímida e num inglês apressado, entre cigarros e Berliner Pilsner tomada entre tragos surpreendidos. A mesma história, dividida e personalizada por quatro. Um de nós recuava mais, interpunha os resultados em que o amor e a vida se unem; os outros três continuavam felizes seguindo a teoria da belga, em que amor e vida se separam (uma teoria bem mais interessante que isto, mas os direitos de autor, que ninguém respeita para além dos autores, impedem-me de o contar). E de repente, naquela verdadeira nave espacial que mergulhava no mais insondável mistério que Berlim tem para oferecer: o futuro do passado. Parece simples, parece quase até banal: não, não é o presente. É realmente o passado a ligar-se todo no instante, as raízes e os frutos juntos. Ou não fosse esta a cidade de todos os recomeços.

Comentários

Gosto tanto! Saudades tuas e das palavras assim vividas. Saudades de me demorar no ritmo e na fonética, nos sentidos e gemidos, de as escolher entre muitas cores. As palavras nos meus dias deixam cada vez mais de ser prazer, para serem faxes e ofícios a comunicar urgências.
Vou para Berlim, recomeçar. E dar-te um abraço.
Tae

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O "Crónicas de Bizâncio" estará de volta, pelo menos durante 2018. Sempre à Quarta-feira e ao Domingo, um texto mais longo e outro mais curto. Como aconteceu comigo, espero que regressem a estes regressos.

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