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despaís, I

Publicarei nos próximos dias alguns excertos do meu novo romance despaís, uma distopia sobre o fim de Portugal em 2023. O início:


«O mar como terra. As ondas, montanhas. O céu o sol. As falésias de Sagres, estranhamente habitadas por uma dupla secura.
A areia e a beira-mar são agora uma massa informe de madeiras e plásticos, jangadas de matéria morta, subitamente ressuscitada como uma espécie de salvação. Esses instrumentos de um presente confiscado, símbolos dolorosos de um passado gloriosamente burguês, ouropel europeu; e esses homens, e mulheres, e crianças, e velhos, todos restos feitos pessoas e não o (seu) contrário, agora convertidos em naus, em marinheiros, em duplos quinhentistas passados de futuro, ultra-passados de futuro.»

Comentários

Wakewinha disse…
Romance inquietante, de um autor não menos ebuliente, sobre um potencial estado da nação altamente sinistro. (Será que não seria realmente o “sim” o vencedor à questão referendária «concorda com o fim do país»?)

Mais funestas ainda são as notícias que falam do autor, Pedro Sena-Lino, vir a Portugal apresentar despaís. Se houvesse um referendo «concorda com a saída do autor do país?», a resposta seria um indubitável NÃO.

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