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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2013

despaís: writer's cut II

[homem do lixo] ó caralho, c'anda tudo a roubar os fios eléctricos, cambada de merda. e o homem do lixo depois que limpe esta merda toda aqui, é restos de fios e restos de dedos, foda-se, quando explode a merda dos fios. um gajo agora até vende a mãe para pagar a casa, ó caralho.
[Bartolomeu Henriques] Seguiram-se chamadas de barões e baronetes, entre os quais a do ex-Ministro Chaves, conhecido no partido como a Pudichona: - Ó menina, tens o nosso apoio. Mesmo que sejas esquisita e não admitas, olha que eu sei tudo o que andaste a fazer lá por Bruxelas e Berlim e assim. Mas conta connosco para fazeres como queres, filho. Sebastião não sabia se era uma forma de pressão ou de apoio. Ou ambos. Nunca lhe doeram tantos os pulsos como naqueles dias em que se viu chefe do partido sem pronunciar uma palavra. Mas a voz rouca e aguda da Pudichona parecia prender-se-lhe nos ouvidos. - Ai, e se tu vais a Primeiro-Ministro, tens de ir lá a casa. Já cá tive muita coisa, agora cá um Primeiro,…

despaís: writer's cut I

Postarei nos próximos dias alguns excertos de despaís que não constam do livro impresso: cortados na revisão, ou mesmo escritos na primeira versão e depois não colocados.
[Mark] Lisboa era, naquele Setembro de 2023, uma espécie de barco naufragado no seu próprio destino. Ao passear pelo Terreiro do Paço, observava os escritórios dos assessores políticos, fechados e protegidos com madeiras - eram sem conta as vezes que a população irritada tinha destruído as janelas dos pequenos poderes. Spin doctors e boys tinham já feito as malas há anos para empresas públicas mais vigiadas, ou para simpáticos gabinetes europeus. As pessoas estendidas pelas ruas, ou andando como fantasmas, a agarrarem-se a mim a pedirem dinheiro ou cigarros, ou a oferecerem-se para trabalhar. Homens sem dentes, ou de dentes pretos, mas bem vestidos. Nova pobreza. O que mais me impressionou naquele passeio foi a certeza de que estava numa capital europeia, uma das mais antigas do mundo, a mais ocidental da Europa, e …

despaís: entrevistas & lançamentos

Entrevista a Maria João Costa, da Rádio Renascença, aqui.
E outra, a José Manuel Rosendo, na Antena 1, aqui.

E mais algumas sessões de lançamento:
Lisboa, 22 de Julho, Livaria Barata (Av. Roma), 18h30
Feira do Livro de Faro, Livraria/ Papelaria Sagres, 28 de Julho, 19h30
Feira do Livro de Portimão, Livraria/ Papelaria Algarve, 28 de Julho, 22h

despaís, II

Mais um excerto de despaís.
A partir da próxima semana, começarei a publicar aqui, como o fiz com 333, partes do romance que não ficaram no livro.


[gestor]
Esta é a história de um país que foi um erro. De um país que  nunca sequer deveria ter existido.



[Manuel Sancho]
Esta é a história do meu imortal país, que eu conheci do Minho a Timor, grande como uma lenda, e que agora está no meio do oceano, perdido.



[historiador]
Esta é a história do mais velho país da Europa. E do único que vai ressuscitar, sobre outra forma. É o início de uma nova ordem.



[velha]
A minha casa é na rua. O meu país é no mar.



[historiador]
O Estado matou os países. As nações. O povo.



[velha]
O meu país chama-se dívida?

despaís: flash mob

Flash mob despaís
12 de Julho 2013
Praça do Rossio, 13h33

despaís: sessão de lançamento

despaís, I

Publicarei nos próximos dias alguns excertos do meu novo romance despaís, uma distopia sobre o fim de Portugal em 2023. O início:


«O mar como terra. As ondas, montanhas. O céu o sol. As falésias de Sagres, estranhamente habitadas por uma dupla secura. A areia e a beira-mar são agora uma massa informe de madeiras e plásticos, jangadas de matéria morta, subitamente ressuscitada como uma espécie de salvação. Esses instrumentos de um presente confiscado, símbolos dolorosos de um passado gloriosamente burguês, ouropel europeu; e esses homens, e mulheres, e crianças, e velhos, todos restos feitos pessoas e não o (seu) contrário, agora convertidos em naus, em marinheiros, em duplos quinhentistas passados de futuro, ultra-passados de futuro.»

despaisadamente, parte IV

- Imagine que viaja e nas fronteiras o apontam como «desportuguês».
- Imagine que 900 séculos de História e feitos acabam por valer zero quando o país é posto à venda.
- Imagine uma criança que nasceu a 6 de Outubro de 2023 em Coimbra e cuja nacionalidade seria "apátrida" ou "desportuguesa".
- Imagine que a língua que fala, porque corresponde a um país que morreu, passará a chamar-se Brasileiro Europeu. - Imagine esta manchete: "Portugal, the first country in the world that commited suicide".

despaisadamente, parte III

- Imagine o seu T2 a servir para 20 pessoas. - Imagine um Governo a vender concelhos do país a retalho, a cortar regiões como num talho.
- Imagine o país ocupado por mercenários de entidades bancárias.
- Imagine um país a ser engolido por si próprio por uma decisão livre.
- Imagine o seu país a acabar sem nada de novo começar.