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Os breves regressos infinitos, I

Regressar a Portugal, por uns dias. E mais do que rever as pessoas que são parte da estrutura do meu coração, ou dos espaços em que vivi tanto tempo e onde cresci, das memórias que devem ser revistas, mortas, remendadas, rever uma pessoa que eu não conheço.
Entrar numa casa que foi nossa, num espaço que antes era o prolongamento do corpo, onde se reclinava a cabeça para a largura dos dias, e ver sempre traços de alguém. Cadernos, discos, livros, anotações, hábitos. Ver que alguém ocupou este espaço, alguém pesado, alguém que não sou eu. Alguém que era eu agora. 
Mas esta pessoa é um caminho, é um espelho morto que pode dar vida: eu devo perceber quem foi pelos restos que deixou. E neste meu antepassado de mim perceber quem eu sou hoje.
Soube sempre interessar-me pelo estrangeiro de mim. Mas nunca me pensei meu antepassado. O que há de infinito nos regressos, mesmo breves, mesmo que não sejam regressos.

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