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Crónicas de Berlinzâncio, XVII: Berlin lovesong

[Berlin lovesong]


é para ti, cidade, no teu anjo

como uma ruína morre e se torna vida. foi isto, tu comigo, nós.
não páras de te criar, cidade velha e nova, noiva. nunca chego suficientemente à tua boca, nunca te tomo todos os lábios de pedra.
começas no fim, inventas um rio, guardas o sol num quadro. queres amantes insones, que desfaçam as palavras todas contra o teu corpo. queres o seu fluído limpo, catedral, desejo absoluto. queres a fome dos loucos, que gera toda a gramática do futuro.
mas dobro-te as pernas com o meu amor, tomo-te os lugares onde nunca foste amada, bebida, desdobrada. dou-te o meu coração de sangue, se o quiseres - faz com ele uma esquina onde nunca mais um abraço de pedra e carne termine.

sei que nunca vamos chegar um ao outro. é por isso que quero que morramos juntos - dois tempos sobrepostos, como as galáxias amam.

este texto é um fragmento, a ser publicado brevemente

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