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O Natal de raízes e frutos brancos



As ruas estão cobertas de um manto branco, as árvores também. Não se percebem se as espantosas iluminações de Natal são reais de neve, ou se não: a tranquilidade profunda do branco torna tudo mais verdadeiro, como se reforçasse os símbolos.
Dou passos no branco. Parece um bailado mas também uma benção. Todos os ruídos cessam depois da neve, a cidade torna-se uma aldeia de província. A própria forma de andar se altera, os passos fazem bastante ruído. Tudo se equilibra: a neve faz parar, faz descer para o coração, liga passos mentais e físicos. Há uma consciência de andar, de estar num espaço e num tempo. Como se num tempo anterior, antigo, mas também este, sobreposto. Em que um gesto livre de nascer num país estranho fosse o gesto recriador do mundo, como uma criança em Belém há dois mil anos.

Para mim, o Natal este ano vai ser sem presentes, passado longe da família e das tradições. Este ano vivi e percebi que todas essas coisas, que considerávamos eternas, seguras, fiáveis, podem alterar-se com uma rapidez voraz. Que a solidão pode ensinar a origem, o porquê aparente e profundo de tudo.
Mas também que inventar o futuro é um dos maiores actos de liberdade. 

Desejo-vos a todos um Natal com raízes vivas e iluminadas. E que 2013 seja construído, não roubado; criado por cada um.

Comentários

UL disse…
Este comentário foi removido pelo autor.

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