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O melhor pôr do sol do mundo

Emanuel Vidovic, Angelus
Ver não é andar. Ver é parar e sentir.

É isso que aprendi ao subir acima do monte em Split, ao ver toda a vista que se estendia da costa às montanhas; é isso que aprendi na Galeria Emanuel Vidović, em naturezas mortas ardendo de perguntas antigas; é isso que aprendi sentado no autocarro, despedindo-me de uma cidade que já me viveu, mas onde eu não vivi.

A viagem entre Split e Zadar, cerca de três de autocarro, é toda feita pela costa, numa marginal que parece infinita, ao lado do mar. Ilhas e ilhas e azuis a encherem-se de azuis, multiplicados uns nos outros. De repente, uma ilha ligada à costa, com uma igreja no seu extremo, a lutar a eternidade com o mar: Primosten. Todas estas ilhas, parecem Avalon, perto e longe pelo jogo incomensurável da bruma, altas e bosqueadas. O concerto da água, da pedra e do nevoeiro fazem delas mais sagradas que reais.


Momento de humor: uma cidade que se chama Biograd, e que fez como eloquente escolha de símbolo um sol em cima. Toda a cidade parece uma marca de produtos integrais, biológicos ou mesmo bio-místicos. Outra hipótese é ser uma cidade biológica ex-soviética. Não é só em Portugal que algum marketing camarário é de gosto duvidoso.


Zadar, seis da tarde. O mar, pertíssimo, ao nível dos olhos, como coração dos olhos. Mais ilhas. Mais azul. E o sol, vermelho como o quadro de Vidovic, a desfazer-se num contraste de cores que parecia a própria invenção da cor.
Alguém comenta: «Hitchcock esteve em Zadar e disse que era o pôr do sol mais bonito do mundo».


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