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O azul à linha dos olhos

O autocarro parou e eu voei. Paquetes ao fundo, um mar que parece sempre estar mais alto, à linha dos olhos, como se fosse os olhos de um ser maior; um mar alto, um azul esverdeado a reinventar-se. Depois do meu bilhete comprado a correr para Zadar no dia seguinte, 24 horas de Split só para mim.

O hotel era familiar, mas com quartos óptimos. A Alexandra e o Dante, o seu filho, ajudaram-me telefonando loucamente para todos os museus que tivessem bizantinices; só no dia seguinte conseguiria ver. Saí grato e fresco para uma chuva miudinha e chuviscosa. Lá fora, à frente do mar, o Palácio do Imperador romano Diocleciano, integral.

Ao longo dos séculos, fizeram-lhe ruas dentro; moraram dentro das suas paredes, os bizantinos fizeram arcos e janelas, os venezianos torres e mais janelas. A Catedral, circular como as de Bizâncio ou as dos Templários no Norte da Alemanha, esconde tantos segredos juntos que precisei de fechar os olhos porque não aguentava tantas ressonâncias.
E depois: horas, horas, horas, a percorrer o Palácio de lés a lés, perdido nas ruas, perdido completamente no tempo. Tempo e espaço unem-se.
O passado atravessa-me a toda a hora; as sobreposições de tudo fazem linhas de pedra mais fortes que a própria sobrevivência do tempo. Aqui lê-se o mundo: como o mundo é feito de culturas sobre culturas - e que quando estas desaparecem, ainda com mais força vivem.

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