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Europe's still growing


(Brutal - 7º Festival Internacional de Poesia de Zagreb - dia 2)
O Markus corre três horas por dia. Diz que corre uma hora, depois come e dorme, depois corre outra, depois corre e dorme. Vai ser pai daqui a umas semanas, diz que não saberá como correr tanto depois, mas tenho a certeza de que correrá com mais chão na alma. Escreve romances, entre as corridas, com pulmões maiores.
O Bosse viveu dois anos numa estação de comboios abandonada no meio da Finlândia. Escreve poemas sobre a minoria sueca da Finlândia e tem dois filhos – um deles feito na tal estação de comboios.
A Martina escreve sobre répteis. É uma metáfora sobre o imutável humano, sobre as figuras da ex-Jugoslávia, sobre o poder que nunca muda. Mas na cidade natal dela, Zadar, ainda há muitos – por baixo dos monumentos.
A Sonja escreve poesia de amor. Mas sobre o filho. «Contando sílabas» é um dos seus poemas mais famosos e traduzidos: ela e o namorado contavam o nome do filho em sílabas.
O Tom escreve sobre o oriente no ocidente, a presença invisível de coisas mais antigas do que as palavras. E, por isso, sobre paisagens.
Depois de ouvir os textos – e a vida interior que os plasma, posso perceber como a Europa, apesar de decadente, ainda põe coisas a nascer no mundo. F**k you, financial crisis.

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