E este sucesso é maior porque acredito que todas as pessoas que trabalham tomaram uma decisão difícil: para já, de verem cortada dos seus ordenados uma parte do seu rendimento; e depois, de perceberem que era um sinal difícil de dar, pela indiferença do Governo e da Europa, e pela crise, não só nacional, em que cada gesto de revolta bate num muro de silêncio maior: «é mundial, pouco posso fazer, pouco vale o meu gesto».
A Europa tem de perceber, com esta greve e as restantes, que o Estado Providência que gerou no pós-guerra não é um sonho que acabou. Terá de ser reformulado, mas não pode ser morto. Este Estado Providência gerou uma das maiores épocas de prosperidade económica e cultural da história da Europa, já sem falar na paz e na unidade.
Cada um vale na Europa, não somos uma massa amorfa, somos um conjunto de democracias. Cada um vale, no voto e na acção. A greve relembra isso a cada instante. E se a crise que temos é devida à existência de um mundo em que o sistema bancário ultrapassou os seus limites de poder, tornando-se não um instrumento, mas uma tortura; e se a crise que temos é devida à emergência de economias que desrespeitam os seres humanos não lhes dando o básico para viver, nem a liberdade, então a Europa deve acordar. Os últimos dez, quinze anos, foram de esquecer-se de si própria, de manter a todo o custo um estado de coisas sem querer agir. Agora é o momento de reformular-se por dentro. Sendo a mesma, adaptando-se. Hoje o grito de cada um fez-se ouvir - é assim a Europa.
A Europa tem de perceber, com esta greve e as restantes, que o Estado Providência que gerou no pós-guerra não é um sonho que acabou. Terá de ser reformulado, mas não pode ser morto. Este Estado Providência gerou uma das maiores épocas de prosperidade económica e cultural da história da Europa, já sem falar na paz e na unidade.
Cada um vale na Europa, não somos uma massa amorfa, somos um conjunto de democracias. Cada um vale, no voto e na acção. A greve relembra isso a cada instante. E se a crise que temos é devida à existência de um mundo em que o sistema bancário ultrapassou os seus limites de poder, tornando-se não um instrumento, mas uma tortura; e se a crise que temos é devida à emergência de economias que desrespeitam os seres humanos não lhes dando o básico para viver, nem a liberdade, então a Europa deve acordar. Os últimos dez, quinze anos, foram de esquecer-se de si própria, de manter a todo o custo um estado de coisas sem querer agir. Agora é o momento de reformular-se por dentro. Sendo a mesma, adaptando-se. Hoje o grito de cada um fez-se ouvir - é assim a Europa.
3 comentários:
Confrontei-me no dia 24 com uma greve. A da minha memória. Um acto de revolta, suponho. Quando as ruas deixam de ter chão e o ar fica sem ar, ela perde-se. De mim, dela, de nós.
Procurei-a. Em vão. Fez greve.
Deixou-me só por terem arrancado da cidade Luz o que ela tinha de melhor.
O Estado-Providência não será um sonho morto, tanto quanto uma inconveniência para as correntes políticas e económicas actuais.
Uma inconveniência até aos olhos do mais comum dos indivíduos, embevecido pelas promessas do grande oásis do privado, pelas miragens do empreendedorismo. Dos fracassados e abandonados não reza o neoliberalismo.
E porque homo homini lupus, vejo o vilipendiar dos grevistas, apontando-se-lhe as culpas de tudo, como se pudessem subitamente infectar o nosso puro espírito trabalhador e todas as formas de protesto fossem ilegítimas.
Meu caro, preocupa-me. É uma endémica falta de solidariedade e empatia, a incapacidade de cada um de nós poder rever-se nos protestos de terceiros, incapazes de considerarmos a possibilidade do nosso próprio falhanço e desresponsabilizando-nos, optando antes pela culpabilização de acções alheias.
Preocupa-me mesmo.
Supondo, digo bem supondo, que o último post me tenha sido dirigido, não poderia estar mais de acordo com a sua última afirmação:«preocupa-me mesmo», neste caso a sua falta de capacidade de leitura nas entrelinhas.
Meu caro, o meu post referia-se tão somente à viagem que realizei a Paris no dia 24 de Novembro. A greve a que me refiro, é a da minha memória face a uma capital que encontrei transformada nos seus valores.
Um post pessoal que nada tem que ver com a greve trabalhista que não presenciei e sobre a qual não me pronunciei.
Meu caro, preocupa-me. Que leia o que ambiciona contrapor e não o que tem diante dos seus olhos.
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