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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2010

Recuperar

A Greve geral de 24 de Novembro em Portugal foi um sucesso.
E este sucesso é maior porque acredito que todas as pessoas que trabalham tomaram uma decisão difícil: para já, de verem cortada dos seus ordenados uma parte do seu rendimento; e depois, de perceberem que era um sinal difícil de dar, pela indiferença do Governo e da Europa, e pela crise, não só nacional, em que cada gesto de revolta bate num muro de silêncio maior: «é mundial, pouco posso fazer, pouco vale o meu gesto».
A Europa tem de perceber, com esta greve e as restantes, que o Estado Providência que gerou no pós-guerra não é um sonho que acabou. Terá de ser reformulado, mas não pode ser morto. Este Estado Providência gerou uma das maiores épocas de prosperidade económica e cultural da história da Europa, já sem falar na paz e na unidade.
Cada um vale na Europa, não somos uma massa amorfa, somos um conjunto de democracias. Cada um vale, no voto e na acção. A greve relembra isso a cada instante. E se a crise que temos é devid…

uma barreira até ao som

Quando era tudo antes: quando não havia espaço entre mim e esta música, quando eu podia tocar-lhe, e ela podia absorver-me, afundar-me, desaparecer-me. Quando ela ocupava todo o meu espaço, físico e interior, e ribombava respirando dentro dos meus pulmões, revivificando as minhas articulações, bombeando o coração do coração.
Agora entre mim e ela há um espaço: oiço-a, mas não me invade. Ponho o som mas alto, mas não é dos ouvidos a falta, mas de habitação interior. Como eu queria ser desta música de novo.
O que toma este espaço dentro de mim? Que tipo de cera, de surdez, de monstro obstáculo na alma?
O meu reino por ouvir a 3ª de Brahms por Furtwängler pela primeira vez; por ouvir de novo, originalmente, como se acabada de compor para mim, a Sinfonia Patética, o 2º Concerto para Piano de Brahms, todas as Sinfonias de Mahler, a 4ª, a 5ª, a 7ª de Bruckner - e claro, o Beethoven inteiro. Voltar às tardes grandes de Verão da adolescência, com Mozart por todos os lados e os olhos a rebentarem…

No lançamento do manual de Autobiografia