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100 anos de República, II

Não celebramos o fim da Monarquia, que como notava Pedro Mexia, teve um último rei decente e renovador, que não teve margem nem tempo para ser quem queria ser (um pré-Marcelo Caetano, afinal).

Com todo o respeito aos meus amigos monárquicos, e tenho vários, a Monarquia é um sistema caduco, assente na ideia inenarrável de que uma família de casamentos estratégicos tem prevalência sobre todas as outras; que sobre esta teia pode gerar símbolos nacionais paternalistas; que a figura de um homem que representa o sangue continuado pode assegurar as necessidades de representação de um país. Compreendo que se olhe para Espanha e se veja na figura de Juan Carlos algo que se deseja imitar: mas foi apenas a muralha que evitou uma guerra civil sangrenta, um corajoso que levou o país à Democracia, uma cola em formato de conto de fadas que colou um país que nunca o foi (dêem-lhe uma crise económica à Islandesa e teremos os Catalães a sair a correr). Compreendo que se olhe para Inglaterra e se pense: mas sabem precisamente bem, como talvez alguns espanhóis ou Franco antes disso, que sem uma figura neutra não se colam cacos de séculos entre Galeses, Escoceses e Ingleses.

Por outro lado, também não concordo que a República tenha trazido todas as luzes: na verdade, vivemos apenas 52 dos 100 anos da República – contas feitas, os 16 anos da I República, os 36 desde o 25 de Abril: o resto foi uma ditadura com um joguete no papel de Presidente. Houve desenvolvimento, mas houve-o em toda a Europa, e de 1830 até 1910 também se desenvolveu muito o país. Sim, houve uma certa ideia nacional renovada, que foi o projecto de querer mudar o regime, mas já falei nisso. Houve um investimento na educação, sim, talvez a grande ideia - mas que deixaria envergonhados de morte os nossos pais republicanos se vissem agora o desinvestimento e a falta de objectos e objectivos do sistema de educação actual.

Uma nova República era a melhor forma de celebrá-la. Com um novo contrato social, e uma nova divisão de poderes. Um Presidente com poder, eleito com um objectivo preciso, e capacidade para verdadeiramente supervisionar o Governo; um Parlamento menos dependente de partidos e mais de uma ligação regional (é no parlamento que se deve fazer a regionalização, não no território); um Governo mais executante e que tirasse de uma vez as mãos da Justiça.

Celebrar a República é reinventá-la.

Comentários

Carlos Pires disse…
Como? Onde é que estão os republicanos? Como dizia o outro: está bem, um acordo de cavalheiros para tirar Portugal da crise, mas onde estão os cavalheiros?

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