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uma ideia que dói

A Páscoa é uma violência que faz confusão à própria ideia de Deus.
Ter um filho, fazê-lo nascer humano e no meio dos homens, sem truques technicolor ou 3D, e entregá-lo à morte à mão dos humanos. Tão violento e excessivo como o próprio dia de Quinta-feira Santa, em que foi instituída a única religião do mundo em que os crentes reproduzem o sacrifício do Deus, e o comem.
Há em tudo isto uma devastação, que vai das raízes do tempo à realidade mais directa de um ser humano.
Não falo da prática da Igreja, não falo da liturgia, falo do símbolo: nestes dias, em que a Páscoa são "mini-férias", só pensar nisto, só pensar, mesmo para quem não acredite em nada, não deixa de ser uma ideia absolutamente perturbadora. Uma ideia tão violenta que até a Deus faz confusão, no dentro do tempo que se repete a cada instante.

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