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O mar de Berlim

Capítulo 1 da viagem da minha vida, Berlim-Istambul de comboio



Encontrar um chão para o coração: isto é ser na cidade da minha vida.

Berlim não tem mar, apenas o rio Spree; mas há uma ondulação de pedra, precisamente anterior e presente aos edifícios, com marés de ruas e movimentos de oceano. cai entre os espaços, onde se abraçou sem gestos mas com a história inteira a certeza precisa de uma rua.

Começo aqui: sou de pedra. é preciso recuperar os caminhos antigos, a artéria dos gestos, que ligava o mundo ao coração.
E por isso a sonata D. 960 de Schubert, canção de infância para embalar adultos. porque esta cidade viaja-me desde muito longe, desde uma infância de que já perdi o corpo. mas não a forma de me afogar até à raiz do desejo, e recomeçar.

Comentários

Rita disse…
pedro, foste embora e cá "nos deixaste" no barroco... ficamos todos ansiosos de mais! acompanho-te pela escrita, segue tu pela tua sombra. eu também adorei essas ruas de pedra alta, quando fui a Berlim. Bjs
Alberto Pereira disse…
Pedro ontem quando comecei a escrever-te uma mensagem e aconteceu uma coisa engraçada. As palavras que tinhas colocado no texto, começaram a rodopiar-me na cabeça, e não consegui fazer o que pretendia. As palavras não me pediam um texto simples, mas sim um poema. Por isso "O mar de Berlim", resultou num poema chamado "O mar nos homens".
Continuação de bom regresso a ti.
Um abraço.

Alberto Pereira

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