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Os jornais dos outros

Ler os jornais dos outros

Claro não se escaparia à Flopenhaguização dos espíritos, ao coitado Prémio Obamal-me-quer em flagrante de despaz, nem às napoleonidades cotidianas do Imperador de França, nem ao fim do atum, ao fim das abelhas

aindassim

ter a força de ler unicamente os jornais dos outros, dos japoneses, porque não.

Saber de actrizes que morreram e que desconhecemos

lutos impossíveis

Saber do tempo sem saber de onde

resultados de futebol, como em qualquer lugar no mundo Fifa(fodi)do...mas de quem?

um frágil e efémero ausenciamento de frustrações e alegrias demasiado fortes

passear no quintal, plantar uma figueira, aproveitar das primaveras, como Buson, mestre do haiku:


É o último dia

da primavera. Acabei-o

passeando.


Será que Buson lia os jornais dos outros?

Comentários

Castor disse…
Faisons comme si.
Les journeaux des autres n'avaient pas de langues.
Só imagens universais, vividas e sentidas.
Faisons comme si.
Les journeaux des autres n'avaient pas de genres.
Só pessoas, reais e inteiras.
Faisons comme si.
Les journeaux des autres étaient également les nôtres.
Por momentos.

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