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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2010

Os jornais dos outros

Ler os jornais dos outrosClaro não se escaparia à Flopenhaguização dos espíritos, ao coitado Prémio Obamal-me-quer em flagrante de despaz, nem às napoleonidades cotidianas do Imperador de França, nem ao fim do atum, ao fim das abelhasaindassimter a força de ler unicamente os jornais dos outros, dos japoneses, porque não.Saber de actrizes que morreram e que desconhecemoslutos impossíveisSaber do tempo sem saber de onderesultados de futebol, como em qualquer lugar no mundo Fifa(fodi)do...mas de quem?um frágil e efémero ausenciamento de frustrações e alegrias demasiado fortespassear no quintal, plantar uma figueira, aproveitar das primaveras, como Buson, mestre do haiku:
É o último diada primavera. Acabei-opasseando.
Será que Buson lia os jornais dos outros?

o coração que vem de dentro

Eu gosto de ver árvores, gosto de ver a natureza a formar-se sozinha, devagarzinho. Quando tudo poderia acabar, quando os temporais são imensos, a Terra se organiza e recupera. Não tem fim seu renascimento. Está a nascer uma árvore num lugar da minha quinta onde havia muitas roseiras há muitos anos. O vento destruía a elas, sempre, e eu plantei uma árvore sem esperança no sítio onde as rosas morriam. Ao mesmo tempo alguma coisa cresceu no meu coração, no sítio mesmo onde o amor foi ferido. É por isso que a gente é feita de terra.

VIVER FORA CÁ DENTRO

Acabo de cumprir uma semana-programa, rigorosamente: passar uma semana inteira sem ler um jornal português, ouvir notícias na rádio, ver noticiários na televisão ou na internet. Só ler jornais estrangeiros. E qual é a minha conclusão: que a única possibilidade para viver neste país é estar aqui como se estivesse no estrangeiro. Viver fora cá dentro. Vou entrar na segunda semana a ver se sobrevivo.