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o temporal levou minha janela

Estive longe por causa das vindimas, mas aqui volto.
Dias atrás, uma ventada levou minha janela. Não era janela de casa, era de uma pequena casa no fim da propriedade, casa só de arrumações. Ali minha adolescência de livros e proibições cresceu por trepadeiras.
Vou lá pouco, hoje, a casa vai caindo. De vez em quando dou um jeito nela, mas a casa foi caindo porque a minha adolescência foi partindo. Sei que sente a falta de um rapaz que crescia nos seus muros para atingir o céu.
Na virada do milénio, não estava eu na quinta, me disseram que quase caiu.
Pois há dias, uma ventada grande levou minha janela. Era de madeira branca. Eu freqüentemente olhava por ela para ver se não vinha ninguém.
Ela caiu: eu já não espero ver ninguém me procurando quando eu faço o caminho para o futuro.

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