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PERCEBER UM POETA

Ontem um amigo meu poeta me trouxe o seu livro. Estava ainda em papéis, antes de o enviar ao editor. Ele me disse: «Dario, você tem que ler e cortar o que não quiser». Eu lhe disse que eu cortar, só sei árvores, mas ele queria muito que eu lesse. É uma grande responsabilidade, ainda disse a ele, porque ficar assim responsável por cortar a cabeça aos versos, é terrível.

Concordo com o nosso amigo poeta aqui do blogue que os versos são os pulmões da alma. Ao pensar nisso fiquei ainda mais doente.

Antes de aceitar, perguntei-lhe se a cópia era para mim. Disse que sim.

Fui então a correr deixar o meu amigo na cidade. Herr Hans ainda não fechou a loja (só no fim de Agosto) e tirei um xerox de todo o livro. E ainda cheguei à Quinta antes do sol cair. Pus os versos presos nos ramos de uma árvore, cada página amarrada com um arame, para não cair. E deixei assim os poemas do meu amigo, cada um no seu ramo de árvore. A Natureza ia ajudar-me a eu ler.

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