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hiBer(li)nar

Em Berlim.

Como é que já vivi aqui, desde quando, desde que quando? conheço estas ruas e elas conhecem-me, sabem o meu nome, o peso exacto do meu olhar. são amantes: o jogo e o prazer do toque, um padrão maravilhosamente repetido, sempre igual, eternamente novo.

sinto as esquinas desta cidade a encontrarem o meu corpo que será, a alma que eu for quando a minha cidade for apenas a luz.

os anjos são ruas e as ruas são anjos.

é tão claro que me pergunto, com esta luz interior que ocupa tudo. porque é que tem de haver uma habitação para as coisas? porque é que não somos livres como esta sensação-existência, esta pertença em absoluto? porque nos agarramos a tantas paredes que morrem, que nos custam o percurso dos dias; porque é que há casas e nós as perdermos?


aqui, directamente, com a pele da alma em rua, toco com os olhos na ressurreição.

Comentários

Viajar derruba todas as paredes. É o que nos traz mais perto da Verdade.
Janaina Amado disse…
Pedro,
Cheguei aqui vinda do (da?) Insônia, do Henrique Fialho. Lindas as suas fotos, tão sensíveis os seus textos. Também sempre me pergunto porque temos de habitar um local específico, ao invés de todos.

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