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Três preciosidades do nosso Governo, três

Esta semana fomos brindados por três preciosidades do nosso Governo. Sim, daquele mesmo Governo onde por causa do detrás de uma cortina em pleno vôo, o Primeiro-Ministro tomou a decisão planetária de deixar de fumar; em que, como agência de comunicação controladíssima, tudo era pesado a pente fino. Pois, tudo isso está lentamente a desaparecer, em desagregação estrepitosa, como elefante em loja de cristais. Cá seguem as referidas, sinais dos tempos e sobretudo de uma dinâmica de equipa e de objectivos que se revela muito mal construída nos pressupostos.
1 A Ministra que não sabe falar
Anda a Senhora Ministra a cortar em professores e a cortar nos professores e não sabia em debate no Parlamento a diferença entre «gostaria» e «gostava». E não sabia que, no contexto em que usou - expressão de desejo em contexto de cortesia - essas duas formas equivalem-se? E que, já agora, uma forma se chama Condicional e a outra Imperfeito?
Fazem-lhe falta umas aulas de Português, senhora Ministra. Duvido é que alguém neste país esteja disposto a dar-lhe aulas. Porque será?
Ao menos que a importância de ter boas bases de Português lhe tenha tocado. Ainda vai a tempo...
2 As taxas não cobradas aos bancos
Andamos nós a ser perseguidos com impostos, pagamento de custas com multas que são inconstitucionais, e ninguém cobra aos Bancos, essas entidades produtoras de crises, uma taxa que poderia pagar o prolongamento do subsídio de desemprego a centenas de milhares de desempregados?
3 A campanha negra
Ah, é por isto que a Inquisição teve tanto sucesso na Península! Campanhas negras, mãos organizadas, orquestrações misteriosas! Que maravilhosa ressonância de belos passados. Então os dados surgem, são pouco claros ainda, pois claro, mas vão surgindo, e trata-se de ir buscar uma linguagem etiquetada, maniqueísta, vitimizadora. Não é resposta, ainda para mais de um Primeiro-Ministro. Por injusta ou errada a acusação, não é expressão. Silêncio apenas cortado por «Os dados surgirão e provar-se-á que estou inocente» tinha sido melhor. Maniqueísmo é que não.

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