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SAIR DA IDADE DAS TREVAS

Hoje é um grande dia: despachámos o Presidente dos EUA mais medieval de sempre.
Como notava, na Insónia, Henrique Fialho, festejamos duplamente: a partida de Bush e a chegada de Obama. Mas eu quero celebrar mais do que isso.
Quero celebrar a esperança, sem olhar para Obama per si, mas para o seu antecedente. O que significa de esperança o mundo ser liberto de uma figura como Bush. Tenho esperança que signifique alguma coisa de melhoramento do mundo, de compreensão de um erro que todos não podemos deixar voltar acontecer.
Que os retrocessos civilizacionais que W significou nunca mais serão retrazidos, recuperados: uma prisão de alta segurança, métodos de tortura como actos habituais (e a sua negação!), uma agenda conservadora omnipresente, rasura das liberdades básicas em nome da segurança do Estado, do Ocidente e de Deus. Guerras, por tuta e meia, para acicatar os ódios ocidente-resto do mundo. Ecologia nula.
Para mim foi sempre um mistério como é que este homem se considerava cristão. Entre nós, ambos, separa-nos o universo inteiro. Como se George W. Bush fosse um pesadelo vindo da idade das trevas directamente para o tempo da coerência tentativa, da construção.
Resta a esperança de que depois do retrocesso possamos ir muito mais longe. E pesando o futuro com o passado, Obama ainda fica como uma esperança mais intensa.
[Agora só falta livrarmo-nos de um outro ser medieval, que vegeta por Itália...]

Comentários

etanol disse…
Pois, aquele que vegeta em Itália também podia cair da cadeira que o mundo ficava bem melhor!
Maria João

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