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RETIRO DE ESCRITA


Passei três dias e meio em Serpa com alunos da Companhia do Eu, que dirijo há quatro anos. Estivémos na Casa de Serpa, graças à parceria que estabelecemos com os incríveis Sílvia e Miguel, donos e almas da casa. Estiveram o Jaime, a Ana Oliveira, a Ana Catarina, a Teresa Lopes, a Susana, a Patrícia e a Filipa.
O mais impressionante destes dias não foi a chuva, nem o frio, nem as refeições extraordinárias. Foi sentir que, entre oito pessoas tão diferentes, que tão pouca coisa unia, um espírito de procura e de pesquisa se tornou uma espécie de casa comum. E que a partilha é possível, com os projectos de livro ou de contos de cada um a serem de facto preocupação de todos, dividido por todos, acompanhado e gerido.
A sensação que tive é que as barreiras que nós próprios a nós próprios colocamos (bloqueios de escrita, representação de si próprio, medos, receios, fugas) caem quando somos imaginações juntas a perguntar-se; quando somos o caminho um dos outros. Todas as pessoas podem comunicar, vindas de raizes tão distantes, e tão diferentes entre si, a partir do resultado livre da sua imaginação. E isso é a igualdade.
E ver a igualdade acontecer perante os nossos olhos e durante três dias é uma coisa tão rara no mundo.

Comentários

Anónimo disse…
Também quero, quero mais e mais estar no meio de todos vocês.Quero ser igual ou pelo menos ter a possibilidade de o sentir

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