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sócrates é o timoneiro e magalhães o seu profeta


É vê-los, remadores em acções de formação, felizes e cantarolantes: lá vão, cantando e rindo, levados, levados sim por aquela máquina que não é da regisconta mas muito mais além; até tem nome de explorador e pode dar a volta ao mundo por sinonímia.
Conhecem o facto: os capitães de formação nas escolas, que apontam aos professores o mapa para o novo mundo escolar que é o magalhães, incentivam os professores a fazer pequenas cantigas para serem usadas nas aulas; isto sem falar nas acções de formação, que em vez de trabalharem conscientemente o impacto do computador no fim da cultura escrita, com as suas potencialidades e problemas, decidem cantigar.
Tudo isto cheira bastante a mocidades antigas, mas em vez da família e da bandeira temos agora o computadorzinho azul. Que vai, de uma vez, atirar-nos para a escala mais alta da e-literacia na Europa.
A nós, que temos dos programas com menos estudo de literatura no ensino obrigatório. Que fazemos os alunos lerem compêndios inteiros cheios de más reportagens, excertos de artigos, e nos exemplos de literatura que damos, escolhemos mal e indicamos pior (veja-se o caso dado num manual escolar de Português, em que as derivações psicológicas de uma personagem da Aparição são dadas como exemplo de… memórias autobiográficas).
Vamos ser, outra vez, o país que vai dar a volta ao seu complexo de inferioridade por mais uso de gadgets. Já éramos, sendo um dos países com maior uso de telemóveis. Tem tudo a ver com a importação de rendas da Flandres e afins que dissiparam as receitas da pimenta. Mas continuaremos sem ser um dos que mais compreende e discute a sua cultura; logo quando temos a sorte de ter uma das mais antigas e vivas literaturas mundiais, onde tantos autores fizeram de psicólogos deste país mais jangada de ilusões.

NB – Uma palavra agradecida aos amigos e leitores que me escreveram nestes meses em que o blogue esteve parado. Pensei acabá-lo. Também por tudo isto recomecei.

Comentários

Olha! O prof.!!!
Cheguei aqui via Corta-Fitas!
Beijinhos, querido Poeta...

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