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A mostrar mensagens de Julho, 2008

O MUNDO EM 4 GIGAS

Mínimos quadrados com mais pequenas setinhas. Milhares. O peso da decisão. «Não vai caber, não vai». Decide-se.
«O seu Ipod não tem espaço para todas as músicas seleccionadas.»
De novo, de A para o Z. Mais caixinhas. Dolorosamente o cursor em cima das caixinhas. A decisão é inquisitorial. Como, como é que eu vou passar sem aquela música? Parece que se exclui para sempre, da história, do universo. Vá lá. Carrega-se. Respira-se fundo. Pensa-se como é que vai ser, atravessar um dia, dois dias, estradas de pensamentos, rostos, sem aquela música. Excluída. Tenta-se, respira-se outra vez. A respiração mesma guia o cursor, carrega-se. Já está.
Uma e outra e outra vez. A sensação de perda ocupa todas as caixinhas.
«O seu Ipod não tem espaço para todas as músicas seleccionadas.»
E agora? O que tiro? São duas da manhã. Não cabem as músicas que acabei de passar. O CD novo, a faixa comprada ao site da Deutsche Grammophon. Não.
Volta-se atrás, ao que se habitou. Uma vez, outra. Não, não cabe. «A ciência…

E A RÚSSIA NÃO VOLTOU

Parecia mesmo adivinha depois do "post" anterior: depois do facto do encerramento do Museu de Arte Popular, agora a notícia da suspensão da exposição do Hermitage; e a provável suspensão da parceria que nos custou €1,5 milhões (Não comento já o legado cultural dos responsáveis prévios do Ministério, porque a herança canta por si). Claro que a Direcção do Museu russo terá as suas questões e culpas: mas também referiu insistentemente a falta de dinheiro que em Portugal impedia tudo e qualquer coisa. Não sei o argumento que usou para Inglaterra, já que também tem lá uma parceria que parece correr mal. Um milhão e meio para trazer para Portugal belíssimos quadros, muitos deles cópias, e o contacto com os nossos antípodas na Europa. A ideia não é má e até revela uma vontade de estabelecer parcerias diferentes em termos de exposições. Mas pensemos: quantos frequentadores de exposições em Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Funchal,... viram já os quadros do Museu Grão Vasco? Quantos conhe…

ERA UMA VEZ UM MUSEU

«A história da administração pública em Portugal confunde-se com a dos manicómios.» Quem o diz, dos finais do século XIX, é Alberto Pimentel. É uma frase de tal forma lapidar (milhares de portugueses sentem precisamente o seu peso – de lápide – todos os dias), de tal forma rasgada na pedra da clareza, que devia estar exposta, ao lado do livro de reclamações, em todas as repartições públicas. Não ao lado do livro de reclamações: na capa!
Pois a história real que contarei a seguir só poderia começar com esta epígrafe.
Em 2005-6, a então Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima (de quem prezo muitíssimo o seu trabalho académico e ensaístico) teve o acto inesquecível de mandar encerrar o Museu de Arte Popular. Tive o gosto de, com um velho amigo, Rui Santos, começarmos uma petição pedindo explicação para o fim do mesmo, e o que aconteceria com a sua colecção. Era o último edifício completo no interior e exterior da Exposição de 1940. A sua colecção era o último elo com uma época (bastante …